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Dependência da Internet

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Como se avalia a Dependência da Internet?

Segundo Young (1999), a dependência da Internet, tal como outros tipos de comportamentos dependentes, pode ser desencadeada como reacção a pistas ambientais ou individuais, surgindo como forma de lidar com acontecimentos de vida desagradáveis. Young diferenciou quatro tipos de desencadeadores que devem ser avaliados neste contexto: aplicações, sentimentos, cognições e acontecimentos de vida.

A dependência da Internet está, geralmente, associada a uma aplicação em particular da Internet. O clínico deve, então, procurar determinar que aplicações são mais problemáticas para o cliente. A avaliação inclui um exame do tempo de utilização de determinadas aplicações, seguindo-se a verificação da existência de algum padrão. Há que ter em conta que são as aplicações interactivas, como salas de conversação ou newsgroups, as que a investigação demonstrou serem mais aditivas (Young, 1996).

Os comportamentos dependentes servem um propósito ao indivíduo, por muito ilusório ou momentâneo que seja. O clínico deve ter em consideração que são os benefícios percepcionados que fazem com que o indivíduo retorne ao comportamento dependente, fazendo-o de forma mais intensa. Os sentimentos de excitação, euforia e exaltação tendem a reforçar os padrões de uso dependente da Internet. Deste modo, quanto mais tempo o indivíduo está sem utilizar a Internet, mais intensos são os sentimentos desagradáveis.

É importante que o clínico avalie as cognições do indivíduo, pois o pensamento de tipo catastrófico contribui para o uso patológico da Internet, ao fornecer um mecanismo psicológico de fuga para evitar problemas reais ou percepcionados. As cognições não adaptativas, como a baixa auto-estima e a depressão, também tendem a desencadear o uso patológico da Internet. Deste modo, aqueles que sofrem de problemas psicológicos profundos podem ser mais facilmente atraídos pela possibilidade de interacção anónima da Internet, como forma de ultrapassar as incapacidades percepcionadas.

Finalmente, os acontecimentos de vida também podem ser desencadeadores do comportamento dependente. Existe maior vulnerabilidade à dependência da Internet quando há pouca satisfação com a vida, ausência de intimidade com outros, falta de auto-confiança ou de interesses, ou ausência de esperança, visto que os indivíduos não conseguem arranjar outra forma de adaptação. É, então, importante que o clínico avalie a situação do paciente de forma a determinar se a utilização da Internet surge como um meio de evitar uma situação infeliz, tal como insatisfação conjugal ou profissional, doença, desemprego ou instabilidade académica.

O tempo passado on-line é, também, um factor importante na avaliação do uso dependente da Internet. Segundo a investigação de Young (1998), os indivíduos que se auto-avaliaram como dependentes da Internet referiram uma média de 39 horas por semana passadas on-line (contra as 5 horas semanais reportadas pelos indivíduos não dependentes). Também Chen e Chou (1999) concluíram que o grupo de investigação com alto risco de dependência da Internet passava significativamente mais tempo on-line do que o grupo sem risco (20 horas por semana contra 9 horas semanais). Adicionalmente, Chou e col. (1999) reportaram que o número de horas passadas a utilizar salas de conversação ou correio electrónico são preditoras da dependência da Internet. Sendo assim, o clínico tem que considerar o número de horas que o paciente despende na Internet, bem como o contexto em que ocorre.

Para auxiliar na avaliação da dependência da Internet, vários autores têm vindo a desenvolver materiais de diagnóstico, sendo que o mais divulgado consiste no teste de diagnóstico de Young (Internet Addiction Test; 1996, 1988), constituído por 20 itens (oito na sua versão reduzida). Estes instrumentos de avaliação são apresentados em diversos formatos (questionários, checklists ou escalas), com diferente número de itens e usando uma variedade de métodos.

Contudo, a Internet é uma ferramenta de trabalho e lazer largamente promovida na nossa sociedade, o que conduz à dificuldade em detectar e diagnosticar a dependência. Deste modo, é essencial que o clínico compreenda as características que diferenciam a utilização normal e a patológica da Internet, pois os sintomas podem estar mascarados por cognições como “preciso disto como parte do meu trabalho”, “é só uma máquina”, ou “toda a gente utiliza” (Young, 1998).