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Dependência da Internet

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Caso ilustrativo da Dependência da Internet

        Uma mulher de 43 anos, dona-de-casa, com uma vida familiar considerada satisfatória, sem história anterior de dependência ou de perturbação psiquiátrica, e não orientada para as tecnologias, teve um uso abusivo da Internet que conduziu a danos significativos na sua vida familiar.

        A Internet era a única aplicação pela qual usava o computador, sendo que, inicialmente, passava poucas horas por semana numa variedade de salas de conversação. Num período de 3 meses, passou a necessitar, gradualmente, de estar on-line por períodos de tempo maiores, que estimou terem chegado a atingir um máximo de 50 a 60 horas semanais.

        A partir do momento em que se estabelecia numa determinada sala de conversação, experimentando um sentimento de comunidade relativamente aos outros indivíduos, ficava frequentemente mais tempo do que pretendia. A primeira coisa que fazia de manhã era ligar-se à Internet, verificava constantemente o e-mail ao longo do dia e ficava até muito tarde, durante a noite, na Internet.

        Sentia-se, por vezes, deprimida, ansiosa e irritável quando não estava em frente ao computador. Cancelou reuniões, deixou de falar com amigos reais, reduziu o seu envolvimento interpessoal com a família e deixou actividades sociais de que gostava. Posteriormente, deixou de desempenhar certas tarefas do quotidiano, tais como cozinhar, limpar a casa e ir às compras.

        Não via o seu uso compulsivo da Internet como um problema; no entanto, devido ao seu uso abusivo da Internet, desenvolveram-se problemas familiares significativos. As suas duas filhas adolescentes sentiam-se ignoradas pela mãe e o seu marido queixava-se do custo financeiro do serviço da Internet e da sua perda de interesse pelo casamento. Apesar destas consequências negativas, a paciente negava que este comportamento fosse anormal, não tinha qualquer desejo de reduzir a quantidade de tempo passado na Internet e recusava-se a procurar tratamento. Sentia que era natural usar a Internet, negava que se pudesse ficar dependente da Internet, considerava que a sua família estava a ser pouco razoável e tinha um sentimento único de excitação através da ligação à Internet do qual não queria desistir. O seu uso continuado da Internet fez com que se tornasse desligada das suas duas filhas e separada do marido, um ano após a compra do computador.

        Em consequência da perda da sua família, foi capaz de reduzir o uso da Internet sem intervenção terapêutica. Porém, afirmou que era incapaz de eliminar o uso da Internet por completo sem intervenção externa e não foi capaz de restabelecer uma relação aberta com a sua família.

 

Fonte: Adaptado de K. Young (1996). Addictive use of the Internet: a case that breaks the stereotype. Psychological Reports, 79, 899-902.